ARCA

S. Mamede de Arca é uma pequena freguesia com apenas 131 ha, situada às portas de Ponte de Lima e circundada a norte e a nascente pela freguesia de Ribeira, a sul por Fornelos e a poente e a sul por Feitosa.

 

Há referências a S. Mamede de Arca em documentação do séc. XII.

Nas Inquirições de D. Afonso II, de 1220, vem citada na Terra de Penela, sob a designação de “Sancto Mamede dÁrcha”.

Aparece já como freguesia do julgado de Penela, em 1290, nas Inquirições mandadas efectuar, no reinado de D. Dinis.

No catálogo das igrejas, organizado em 1320, aparece na Terra de Penela, sendo taxada em 30 libras.

No registo da cobrança das “colheitas” dos benefícios pertencentes ao arcebispado de Braga, feita entre 1489 e 1493, S. Mamede de Arca tinha um rendimento 5 libras, 2 onças em prata e 385 réis em dinheiro com “morturas”.

Em 1528, ainda fazia parte da Terra de Penela.

Américo Costa descrevera corno vigairaria anexa ao priorado da vila de Ponte de Lima e da apresentação do seu prior, que passou mais tarde a freguesia independente.

Em 2012, após a reorganização das freguesias, agregou-se à freguesia de Ponte de Lima.

PONTE DE LIMA

Ocupando uma posição geográfica privilegiada, com uma boa rede de escoamento para os seus produtos, Ponte de Lima está, a bem dizer, equidistante de todos os concelhos do distrito de Viana (ao qual pertence), e encontra-se também nas proximidades dos concelhos do distrito de Braga.

 

Ainda mais a sul, a cidade do Porto está a cerca de 70 km. Para norte, a cerca de 60 km, Vigo na Galiza é outro mercado importante. A proximidade com o litoral, onde o porto de Viana assume relevância para toda a região, tem sido factor importante no desenvolvimento do concelho.

Os romanos, há mais de vinte séculos, já haviam descoberto a importância destas terras ao fazer passar por Ponte de Lima a “via romana” que ligava Braga a Astorga e Tui.

Pinho Leal em seu livro Portugal Antigo e Moderno do final do século XIX, nos informa que esta via militar romana, foi aberta, ou reedificada, pelo imperador Augusto César; pois assim o atestava um marco miliário, que se achou enterrado em uma das margens do rio Cávado, quando se reedificou a ponte do Prado. Tinha a seguinte inscrição gravada:

IMP. CAESAR DIVI F. AUG. / PONT. MAXIMUS IMP. XV CONSUL / XIII. TRIB. POTEST. XXXIV. PATER / PATRIAE BRAC. III (O imperador César, feliz, augusto, pontífice máximo, 15 vezes imperador, 13 cônsul, 34 investido do poder tribunício, pai da pátria. Daqui a Braga, 4 milhas).

Conforme informa o autor, esta via foi construída ou reedificada no 11º ano de nossa era, porque Augusto teve o seu 1º poder tribunício em Junho do ano 731 da fundação de Roma, que era já cônsul pela 9ª vez – e em Junho de 764, principiou o seu 34º poder tribunício que terminou em Junho de 765, da fundação de Roma. O ano de do nascimento de Jesus Cristo corresponde ao ano 753 de Roma.

Outros marcos miliários informam de reedificações efectuadas ao tempo do imperador Tito Claudio e do imperador Adriano. Ainda a título de exemplo o autor transcreve as inscrições que contem o marco achado em 1680, na margem esquerda do Rio Minho, num sítio chamado Arinhos:

Ti CLAUDIUS, CAESAR, AUG. / GERMANICUS PONTIFEX / MAX. IMP.V. COS. III TRIB. / POTEST III P.P BRACA XLII

(O imperador Tito Cláudio, cesar augusto, germânico pontífice máximo, cinco vezes imperador, cônsul três, e três do poder tribunício, pai da pátria. Daqui a Braga 42 milhas).Foi pois reformada esta via (no sítio indicado) no ano 43 da nossa era.

As origens da Vila levantam algumas dúvidas. Uns dizem ter sido fundada pelos Gregos, em 1304 a. C. Outros atribuem a fundação aos Túrdulos, em 500 a.C. de seguro sabe-se que é vila muito antiga, no livro,” Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo”. está a seguinte informação que aqui se transcreve na integra, “ Povoação antiquíssima e que ao tempo do Imperador Romano Adriano em 114 a.C. chamava-se Forum Limicorum.

Em 985, o Conde Telo Alvites, na doação de Paradela ao mosteiro de Ante-Altares, refere outra doação anterior, onde é citada a igreja de Santa Maria de Ponte de Lima.

Em 1125, D. Teresa, concede-lhe o foral, no qual já se faz referência à feira. É a vila e a feira mais antiga de Portugal.

Em 1226 e 1228 há referências à igreja de Santa Maria na vila de Ponte. No catálogo das igrejas, organizado em 1320, foi taxada em 120 libras».

A esse respeito voltamos à informação de Pinho Leal:
“É povoação antiquíssima, parece que o seu primeiro nome foi Limia e era cidade muito importante no tempo dos romanos, que lhe chamavam Forum Limicorum – Praça dos Limios, os Limios eram uns povos que se estabeleceram nestas paragens, uns 140 anos antes de Cristo.(…) Logo abaixo da ermida de Nossa Senhora da Guia, perto da vila, no Monte dos Médos há vestígios de um castelo, e dizem que foi neste sítio o assento da antiga Limia. Outros dizem que esta cidade era no sitio da actual aldeia de Santo Estevão de Geraz, o que não é verosímil.

Talvez a que a antiga Limia não fosse exactamente no mesmo lugar onde os romanos fundaram o Fórum Limicorum, mas com certeza, eram sítios muito próximos.

Julga-se que a cidade romana foi fundada, ou reedificada, no tempo de Bruto, isto é, uns 130 a 140 anos antes de Jesus Cristo (…) mas, depois de exactas investigações, por homens competentes, veio ao conhecimento, que esta antiga cidade, ou foi onde depois se fundou a primitiva capela de N. Senhora da Guia, ou no sítio da actual Vila, ou muito perto.

(…)Tanto esta cidade como muitas da Lusitânia, foram arrasadas pelos ferozes Godos, Vandalos, Suevos, etc., no princípio do século V; (…) de entre todos estes cataclismos se distingue o de 997, ano em que o cruelíssimo Al-Mançor califa de Córdoba, invadiu esta região,(…) repetiu as cenas de atrocidades, que pouco antes dele, e no reinado de Ramiro III, tinham feito os normandos.
Diz a história dos Godos, que estes bárbaros chegaram ao castelo de Vermoim, no território de Barcelos, assassinando e destruindo tudo quanto encontraram na sua passagem devastadora.

Expulsos os árabes, nem por isso Ponte de Lima se repovoou, perdendo até o nome romano, e tornando a chamar-se Limia, e era o nome que tinha em 1125, e que o foral de D.Teresa lhe dá.

Então todo este território era de um único proprietário, chamado Sesnando Ramires, como consta daquele foral.

Parece, porém, que no meado do século XIII já se lhe dava o nome de Ponte do Lima: porque Sandoval (igreja de Tuy, fl 1550, verso) cita uma escritura existente no arquivo da colegiada de Valença, que é uma doação feita por D. Afonso III, de Portugal, em 1262, à igreja de Tuy, e diz no final: Facta carta apud Pontem Limiae.

O mesmo nome lhe dá este monarca, em uma carta de privilégios ao couto da Correlhã, datada em Lisboa, a 14 de Junho de 1268.

Ao lado da vila amuralhada vestida de granito, está a ponte medieval, com os seus quinze arcos ogivais, soberba de formas. Esta ponte que deu o nome à terra. Esta terra muito antiga que ostenta garbosamente o título da “vila mais antiga de Portugal”.

Em 4 de Março de 1125 recebe o primeiro foral, de D. Teresa, viúva do Conde D. Henrique.

D. Afonso II, em Guimarães, no mês de Agosto de 1217 confirma o foral e aumenta-lhe os seus privilégios. Posteriormente em Lisboa D. Manuel dá-lhe novo foral, no dia 1º de Junho de 1511.

A criação da “vila” a entrega do 1º foral, o estabelecimento da “feira” e as sanções aplicadas ” se (alguém) fizer mal aos homens que de qualquer terra vierem à feira, tanto na ida como na vinda, pague sessenta soldos”, são algumas das intenções de D. Teresa em “fixar” mais gente na terra, inclusive, estabelecendo que, das “terras rotas” (cultivadas) se pagasse o terço, das novas rotas, um quinto, num claro estimulo aos lavradores para que cultivassem as terras, a maior parte ainda “ermas” dos tempos da Reconquista.

E logo depois ficou marcada a história da “Vila de Ponte” pois, do lado da margem direita do Rio Lima (Arcozelo, Brandara, Calheiros, Refoios), ficaram as “honras” e os “solares” da Ribeira Lima, na margem esquerda, os “reguengos” e os “Coutos”(Arca, Correlhã, Feitosa).

Vai ser no entanto D. Pedro I, quem dá novo impulso à Vila. Reconstrói-se a ponte, circunda-se a Vila de muralhas com nove portas e outras tantas torres.

Nove portas significam nove caminhos e isso, diz bem, do centro de comunicações que já naquele tempo era Ponte de Lima.
Refira-se que a “Feira” não mudou de local até hoje realizando-se sempre no “areal”.

Centenas de anos passados, em tempo de “Feiras Novas” ou de “Feiras Velhas” é sempre uma “Santa Feira”. Por isso, as Feiras Novas são, também, Dia de Festa, Dia de Santo, Dia de Romaria. A não perder no 2º fim-de-semana de Setembro.